20 de fevereiro de 2007

Servidores

aos servidores dum estado de espírito já caduco e estéril

Muitos teriam sido sábios, se não tivessem acreditado demasiado cedo que já o eram.

Séneca

Tanta sabedoria!

Arrasadora subtileza

dos que profanam a liberdade

de ser inteiro

e autêntico

Eu sou o palhaço pobre

sempre

Os castradores do momento

trazem luzes e grinaldas

com que tentam enfeitar

o gosto de viver

Nas linhas da mão está escrito

que amputado fui

do mais sagrado dos deveres

Tingiram-me de cores

de que não gosto

Prostituíram-me com uma senhora

a que chamaram verdade

mas que de verdade só tinha o véu

com que velava uma nudez insípida

e redutora

Enfrentei o proibido

de mãos nuas

já cansado de tanto interdito!

Só por ser o palhaço pobre

dei os pulsos

aos grilhões do formalismo

Mas quando encetei o pacote da verdade

da genuína

tentaram cercear-me a liberdade

de ser

junto com o Todo

Adulteram-me o sentido da vida

Amputaram tanto do que me era lícito

que me castraram a alma

Proibiram-me o amor

afugentaram a graça

E dizem-se servidores

fiéis

em conformidade

Mas não passam de sisudos palhaços ricos

que não fazem rir

nem pensar

Quem faz isso

é o palhaço pobre…

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