Servidores
aos servidores dum estado de espírito já caduco e estéril
Muitos teriam sido sábios, se não tivessem acreditado demasiado cedo que já o eram.
Séneca
Tanta sabedoria!
Arrasadora subtileza
dos que profanam a liberdade
de ser inteiro
e autêntico
Eu sou o palhaço pobre
sempre
Os castradores do momento
trazem luzes e grinaldas
com que tentam enfeitar
o gosto de viver
Nas linhas da mão está escrito
que amputado fui
do mais sagrado dos deveres
de que não gosto
Prostituíram-me com uma senhora
a que chamaram verdade
mas que de verdade só tinha o véu
com que velava uma nudez insípida
e redutora
Enfrentei o proibido
de mãos nuas
já cansado de tanto interdito!
Só por ser o palhaço pobre
dei os pulsos
aos grilhões do formalismo
Mas quando encetei o pacote da verdade
da genuína
tentaram cercear-me a liberdade
de ser
junto com o Todo
Adulteram-me o sentido da vida
Amputaram tanto do que me era lícito
que me castraram a alma
Proibiram-me o amor
afugentaram a graça
E dizem-se servidores
fiéis
em conformidade
Mas não passam de sisudos palhaços ricos
que não fazem rir
nem pensar
Quem faz isso